Me deixe ir, preciso andar
O trabalho flerta com a experiência que o artista obteve com a Cia. Finzi Pasca, a partir do qual houve a oportunidade de conhecer o trabalho e o processo criativo na busca do “ator de circo” em uma oficina de duas semanas em Belo Horizonte no Mundial de Circo. Faz, também, uso os preceitos do método Teatro da Caricia de Daniele Finzi Pasca (Diretor da Cia. Finzi Pasca, diretor do espetáculo Corteo do Cirque du Soleil), o espetáculo busca o singelo que existe em todos nós para desabrochar no risível do cotidiano invisível. A busca existencial de todos nós sobre "Aonde devemos ir? Este é o meu lugar?".
É a condução para este palhaço que busca o seu lugar no mundo. Utilizando técnicas circenses como malabares (claves, bolinhas, chapéu, aros, diabolo, devil stick), equilíbrio (monociclo, rola-rola), ilusionismo e comicidade, o palhaço leva o público a se perguntar sobre os encontros e desencontros da vida.
Tanto que, a frase célebre de William Shakespeare: "Ser ou não ser, eis a questão", constrói uma das cenas do espetáculo, brincando com o ego do artista em representar Shakespeare e jogando com a plateia no ato de se expor e interpretar a frase clássica. Em vista disso, ocorre ali a vivência conjunta das alegrias e tristezas das chegadas e partidas, amenizadas, enfim, pela lembrança fotográfica tirada com uma polaroid, materializando o momento.
"Deixe-me ir, preciso andar. Vou por ai a procurar. Rir pra não chorar." (Cartola)
É preciso cantar e dançar, ver os outros sorrirem, porque mal começamos a conhecer a vida e já estamos nos despedindo.